Comer uma melancia junto a um rio

Um artigo recente no jornal Público, chama a atenção para a grande diversidade de peixes que vivem nos cursos ribeirinhos – “mais de metade das espécies conhecidas” – sendo que um terço destas espécies estão em perigo de extinção. Fala-nos também da Lampreia, que anda por cá desde os tempos dos dinossauros e cuja população está em rápido declínio, em Portugal e globalmente.

Seria bom de facto “que algumas luzes de alarme se acendessem”, por todas as razões óbvias, mas será que só conseguimos justificar a nossa ação de cuidar ou proteger a natureza pelo seu “valor económico” ou pela “manutenção de um planeta mais saudável”, como se tratasse de uma coisa distante?

Não bastaria dizer, que era bem melhor podermos dar um mergulho num rio, sem temos que pensar duas vezes? ou podermos comer uma melancia, sem ter que levar com um cheiro a sulfureto?

Felizmente, ainda não é esse o caso do rio Sever, onde estivemos em residência na primavera do ano passado.

Francisco

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Fotografia: Nuno Barroso

/ coletivo Guarda Rios no Rio Sever, piquenique com Patrícia Gomes e Steve Sprung /

Link para o artigo do Jornal Público.

Ambientalistas e investigadores propõem remover barreiras artificiais para impedir extinção da fauna endémica da bacia do Douro

O consórcio Rede Douro Vivo, composto por associações ambientalistas, como o GEOTA (que lidera o projecto) ou a ANP/WWF, e por investigadores das universidades do Porto, Coimbra, Nova de Lisboa, UTAD e Instituto Politécnico de Bragança, tem vindo a alertar para os diversos efeitos nefastos da fragmentação dos rios da bacia do Douro pelas 57 barragens (do lado português) e as mais de 1000 outras barreiras artificiais existentes naquele rio e seus afluentes (ver aqui e aqui). Para além de impedir que sejam transportados sedimentos até ao mar, aumentando a erosão da costa e reduzindo a quantidade de nutrientes necessários para algumas espécies a jusante, aquela fragmentação tem igualmente efeitos negativos em diferentes actividades económicas a montante. O outro grave impacto ambiental das barragens é o desaparecimento de diversas espécies endémicas (como a lampreia, a enguia, a savelha ou o mexilhão-de-rio) e a sua substituição por espécies exóticas invasoras (como o achigã, o lúcio-perca ou o siluro). Os estudos levados a cabo por aquele consórcio identificaram 165 barreiras ou açudes obsoletos em 5 afluentes do Douro, tendo sido criado um ‘ranking’ de 20 candidatos prioritários a remoção que foi submetido pelo GEOTA à Associação Portuguesa do Ambiente em Setembro de 2020 (ver aqui e aqui). A remoção daquelas barreiras permitiria preservar os 175 locais da bacia hidrográfica identificados pelos investigadores onde ainda existem ‘santuários’ de peixes nativos, sobretudo nos rios Tua, Côa, Arda e Paiva.